Foi numa tarde de sábado há dois anos, no parque central da cidade que te conheci. Você corria buscar seu cachorro que havia escapado da coleira e ele veio pra cima de mim, me derrubando e me lambendo todo. Nunca gostei de animais. Digo, os acho lindos e admiro quem cuida, mas não é pra mim sabe? Gosto de vê-los bem com outras pessoas ou melhor: livres. Mas pra eu cuidar? Muito Obrigado! Já é difícil cuidar de mim mesmo.

Você veio buscá-lo com um sorriso cativante no rosto, me pedindo desculpas e dizendo o quanto Ted era sapeca. Nos apresentamos e passamos essa tarde juntos. Lembra o sabor do sorvete? Era de flocos. Seu preferido.

Nos tornamos bons amigos. Você sempre me contava como era seus relacionamentos e a forma como os homens te deixavam triste e partiam seu coração me dava uma vontade louca de sair quebrando a cara deles. Você nunca deixou. Sempre seguia em frente com um sorriso no rosto, esperando por algo que trouxesse emoção na sua vida. Você sempre amou emoções. Sempre viveu a flor da pele.

Eu nunca vou me esquecer da forma que você jogava seus cabelos, quando o vento o trazia no seu rosto. A forma como você me olhava quando estava brava com algo e eu insistia em te fazer rir. Os filmes que assistíamos juntos e de como você tirava sarro de mim por ser tão melancólico. Aquele bolo de laranja que queimou enquanto eu me perdia nas horas te observando ao meu lado, eu insisti em dizer que era de chocolate, mas o gosto amargo negava. 

Uma coisa que sempre vou lembrar é quando fomos ao estádio assistir nosso time jogar. A forma como você ficou inconformada em vê-lo perder e dizia que eu era azarado e que o placar final foi culpa minha. Não te culpei, afinal sou pé fria mesmo. Em todos os sentidos possíveis.

O tempo passou e agora você está com outro e ele realmente é bom pra você. Fico feliz que tudo tenha dado certo na sua vida. Soube que seu casamento é mês que vem, peço desculpas por não poder comparecer. Acontece é que eu não consigo aceitar a ideia de te ver sorrindo pra outra pessoa, de desabafar com ela, de cantar desafinado pra ela e ir me esquecendo aos poucos. 

Sei que a vida é assim e chegou na fase mais dolorida: a de dar adeus. Acabou todo aquele conto de fadas em que eu sonhava te ter pra mim (mesmo você não sabendo). Talvez esse tenha sido o meu erro. Ou o meu maior acerto. Não suportaria te perder por minha culpa. É melhor te perder, sabendo que está com uma pessoa boa. Quanto a mim, bom, eu vou por aí.