Havia algo em seus olhos castanhos
o modo como eles brilhavam
via o mundo crescer em tamanho
e os sentimentos de alegria borbulhavam.

Seus movimentos suaves
atentos e com cumplicidade
oferecia as chaves
do portal para a felicidade.

Não havia adjetivo, substantivo ou verbo
que determinasse com autoridade
o radical de tamanha divindade.

Faltavam expressões na gramática
Os cálculos eram confusos na matemática
Nas rimas dos versos, sobretudo
seu olhar era norte para o futuro.

Conduzido por este olhar
podia-se viajar
Mesmo não sendo noite de luar
emoções bonitas, eram convidadas a despertar.

Elas eram muitas!
Lhe faltava o ar,
enquanto seus olhos
só queriam, aquele momento, admirar.

Suas pernas inquietas,
quase que a tremer
Sua pulsação desordenada
o sangue a ferver.

Seu pensamento
a lhe persuadir
Enquanto que instintivamente
seus lábios vinham a sorrir.

O olhar que dizia tanto sem falar nada
que radiava luz, como na alvorada
Que podia o infinito conquistar
e o brilho das estrelas ofuscar.

O olhar!
Ah, aquele olhar.
O fez suspirar
e mais uma vez
no amor acreditar.